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Parashá - 22 de Shevat 5770 (06/02/2010)

Porção Semanal: Yitrô
Shemot (Êxodo) 18:1 - 20:26
Haftará: Yeshayahu (Isaías) 6:1-13
A porção de Yitrô inicia-se com o sogro de Moshê (Moisés), Yitrô (Jetro), chegando ao acampamento dos hebreus no deserto, onde é saudado calorosamente por grande quantidade de pessoas. Yitrô desejou juntar-se a eles quando ouviu falar de todas as maravilhas e milagres que D'us realizara para o povo durante o êxodo do Egito.

Quando vê que Moshê está agindo como único juiz do povo desde o amanhecer até a noite, Yitrô declara que este sistema jamais funcionará. Sugere portanto que juizes subordinados sejam designados para julgar os casos menos importantes. Moshê concorda com este plano.

Os israelitas chegam ao Har Sinai (Monte Sinai) e preparam-se para receber a Torá. Moshê escala a montanha e D'us lhe diz para transmitir ao povo de que serão para Ele como um tesouro entre as nações. Após três dias de preparação, finalmente chega o momento da revelação, e em meio a trovões, raios e o som do shofar, D'us desce sobre a montanha e proclama os Dez Mandamentos.

Moshê então sobe à montanha para receber o restante da Torá de D'us. A porção é concluída com várias mitzvot (mandamentos) referentes à construção do Altar no Templo.

Mensagem da Parashá
Nesta parashá, Yitrô, está contida a outorga da Torá, pilar da nossa fé e um grande legado que a humanidade foi presenteada.

Sabemos que nossa memória é limitada, apesar de nosso cérebro dispor de vários "espaços" ociosos. Há uma seleção automática da informação que deve ser guardada e daquela a ser descartada. O parâmetro parece ser o nível de importância atribuído à informação captada. Quanto maior a sua relevância, maior será a prioridade em memorizar-se o fato e, com isso, muitas vezes desperdiçamos o espaço disponível em nosso cérebro, perdendo a oportunidade de guardar questões importantes à nossa essência, principalmente no que se refere à espiritualidade.

Os Dez Mandamentos (Shemot/Êxodo 20:2-14 e Devarim/Deuteronômio 5:6-18) são a Constituição de todo israelita, a mais sublime revelação de D'us a um povo, pois, a partir daí, os israelitas passaram a ser os fiéis depositários desse tesouro entre as nações. No entanto, surpreendentemente, muitos os desconhecem ou até mesmo não se recordam deles. É importante utilizar nossa memória para gravá-los e principalmente entendê-los em seu sublime significado. D'us inicia Se apresentando (nem parece ser um mandamento) a cada um de nós, fazendo nascer a fé e a fidelidade em conduta e pensamento. A seguir, alerta sobre a falsidade de outras divindades, incluindo principalmente a divindade material, da qual muitos são escravos. Não podemos abusar ou profanar Seu Nome. Vem, então, a sagrada observação do Shabat e, completando a primeira Tábua, o respeito aos pais. Ensina a tradição hebraica que essa primeira Tábua está relacionada à nossa ligação direta com Ele. Desonrar pai e mãe é considerado falta gravíssima contra o Eterno. A segunda Tábua, que diz respeito ao relacionamento com nossos semelhantes - não menos por isso também para com D'us, que é o Pai de todos os seres - enfoca proibições como assassinato, adultério, roubo, falso testemunho e, ainda, a abstenção de desejos ilícitos.

Vemos, então, um D'us participativo, que acompanha a vida de cada ser humano; para Ele, a Criação é um processo em constante renovação, no qual se manifesta a harmonia que deve haver entre o Divino e as ações humanas, exercendo uma supervisão sobre nossas vidas, não Se desligando jamais de Suas responsabilidades.

Essa é a Torá que devemos "gravar" em nossas mentes e corações. Ela é única, imutável e sempre atual. A tradição judaica conta que o Rei Shlomo (Salomão), ao finalizar a construção do Bet Hamikdash (Templo), foi informado que a Arca Sagrada era maior que as portas do Templo e lhe perguntaram se deveriam diminuir o tamanho da Arca ou aumentar as portas do Templo. A resposta foi imediata: aumentar o tamanho das portas, para que a Arca que continha a Torá passasse. Concluímos, daí, que nunca devemos diminuir ou cortar partes da Torá; ao contrário, devemos nos esforçar para captá-la em sua totalidade e entendimento, usando para isso o vasto potencial que D'us nos deu. Devemos ter em mente que o saber não ocupa lugar. A nossa mente está sempre apta a receber, principalmente, informações que nos conectem com o Altíssimo e com nossos semelhantes. Assim, nossa "caixa postal" espiritual nunca se esgotará.

É importante ler o trecho completo de Yitrô (Jetro), o "estranho" que deu o nome a essa parashá. Na realidade ele era da família, ou seja, era sogro de Moshê (Moisés), posteriormente tornou-se um israelita através da conversão e contribuiu sobremaneira, com críticas construtivas, no processo de administração dos problemas que iam surgindo, com sugestões importantes que foram acatadas por Moshê, que teve a grandeza de admitir que mesmo ele - o famoso líder e mestre - poderia aprender alguma coisa com os que não pertenciam ao seu povo. É corrente em nossos dias a expressão utilizada em muitas empresas: "Você traz a solução ou faz parte do problema?" afixada na entrada das diretorias e gerências. Yitrô touxe soluções para Moshê e foi dele a expressão que todos usamos diariamente em louvor ao Altíssimo: Baruch Hashem (Bendito seja o Eterno - Shemot/Êxodo 18:10).

 

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