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Shabat: Obrigatório observar? Quem deve guardá-lo?

Existem muitas ambigüidades em relação ao Sétimo dia, ou seja, o Shabat. Algumas pessoas alegam que o Shabat foi destinado exclusivamente aos judeus, ou seja, os gentios não teriam a obrigação de observá-lo. Já outros, ensinam que com a vinda de Yeshua HaMashiach (Jesus, O Messias) a Terra, não há mais a obrigatoriedade do cumprimento desta Mitzvah (Mandamento). Será que essas afirmações estão corretas? Se não, porque devemos observar o Shabat?

A Santidade do Shabat
A Mitzvah do Shabat ordena que a pessoa se abstenha de qualquer labor, do pôr-do-sol da tarde de sexta-feira ao pôr-do-sol da tarde de sábado.

Tal mandamento é inicialmente exposto na Torah no Livro de Bereshit/Gênesis 2:2,3 que diz: "E D'us terminou no sétimo dia toda a obra que fez e cessou de fazê-la no sétimo dia. E D'us abençoou o sétimo dia e santificou-o, porque nele cessou toda Sua obra, que D'us criara para fazer".

Ao parar nesse texto da Torah e refletirmos com cuidado, chegamos a uma conclusão de suma importância para entender o Shabat em sua totalidade em apenas uma pequena frase: o Eterno abençoou e o santificou.

Após analisar essa observação, faz-se necessário uma única pergunta: qual foi o primeiro objeto santo que veio a existir? A própria Torah acabou de dar a resposta a esse questionamento.

A palavra santo (Kadosh), uma das mais notáveis da Bíblia e que, mais do que qualquer outra representa o mistério e a majestade do Eterno.

Trata-se de um momento único em que a palavra Kadosh é utilizada pela primeira vez ao final da história da criação, conforme descrito no Livro de Bereshit. No mencionado relato da Torah, não há referência a nenhum objeto que teria sido dotado de santidade, com exceção do Shabat que vem em primeiro lugar e foi santificado pelo próprio D’us.

Sendo assim, podemos observar que no início de tudo, somente o Shabat tinha a prerrogativa de ser santo, ou seja, a santidade no tempo. No Sinai quando a palavra do Eterno estava a ponto de ser proferida, houve uma proclamação em prol da santidade no homem: "Tu hás de ser perante mim o povo sagrado" (Shemot/Êxodo 19:6). Só após o povo sucumbir à tentação de adorar uma coisa, o bezerro de ouro, que a construção do Tabernáculo foi ordenada, significando a santidade no espaço. Tal fato denota que a santidade do tempo veio primeiro, ou seja, o Shabat tendo a primazia entre as demais criações divinas. O tempo (Shabat) foi abençoado por D’us; o espaço e o Tabernáculo foram consagrados por Moshê (Móisés).

Para corroborar tal observação, basta uma rápida leitura dos Dez Mandamentos (Shemot 20:2-17) para confirmarmos que a única Lei ali contida em que se usa termo santificado é aplicado somente ao Shabat. Quanto aos demais não há qualquer menção a santidade.

O descanso no Shabat deve ser entendido como a cessação de qualquer criação material, mas não a paralisação de toda atividade: na verdade, no sétimo dia, o Eterno criou a alma de que é dotado cada ser humano. O mundo material não é um fim em si, mas um suporte para a vida espiritual e a alma é o coroamento da criação, bem como o Shabat é o coroamento da semana.

Com essa explicação, podemos concluir que o Shabat não é somente um dia de descanso: é um dia de santidade, quando as pessoas podem, por um curto período de tempo, deixar de lado suas preocupações e perseguições materiais da vida, e devotar-se para a renovação espiritual.

O Shabat é considerado totalmente observado quando há ambos, ou seja, o descanso físico e o fortalecimento espiritual. Esta combinação de elementos do Shabat é enfatizada em várias partes da Torah, onde ambos os aspectos, o social e o religioso, são delineados.

O requisito da lei do Shabat, de reservar um dia para interesses espirituais, protegia os israelitas de não gastarem todo seu tempo de uma forma egoísta no empenho em prol de sua própria vantagem material.

Significado do Shabat
Além de santo, o Shabat tem também uma significação social: proclamar a dignidade de todos os homens. O Livro de Devarim/Deuteronômio 5:15 é claro: "E lembrarás que servo foste na terra do Egito, e que o Eterno, teu D'us, te tirou de lá com mão forte e com braço estendido; portanto o Eterno, teu D'us, te ordenou para fazer o dia do Shabat". A Torah é bem explícita nesse texto atribuindo um dia de descanso semanal para todos sem exceção e marca a ascensão efetiva da condição de escravo à homem livre pelo menos um dia por semana.

Mas qual é o significado principal dessa cessação de atividade no Shabat? O reconhecimento da soberania do Eterno sobre o universo. O Todo Poderoso não é somente o criador, mas também o animador do universo. Se voluntariamente interrompemos qualquer atividade econômica e técnica, mesmo correndo o risco de uma perda financeira, estamos proclamando que o trabalho humano não frutifica se não for pelas bênçãos de D’us. Sendo assim, as proibições do Shabat devem ser respeitadas com o devido rigor.

Entretanto, não podemos esquecer que o Shabat não é um dia de sofrimento ou martírio. Trata-se de um dia de alegria e luz para todo povo de Israel, denominando-o como um dia de deleite, conforme demonstra o Livro de Yeshayahu/Isaias 58:13,14: "Se desviares o teu pé do Shabat, [de] fazer a tua vontade no meu santo dia, e se chamares o Shabat deleitoso, e santo [dia] do Eterno digno de honra, e o honrares não seguindo os teus caminhos, [nem] pretendendo [fazer] a tua própria vontade, nem falar as tuas próprias palavras, Então te deleitarás no S-nhor, e te farei cavalgar sobre as alturas da terra, e te sustentarei com a herança de teu pai Yaacov (Jacó); porque a boca do Eterno o disse". Dessa forma, torna-se taxativamente proibido jejuar no Shabat.

Exceções justificáveis existem para se descumprir em observar o Shabat. A Lei Judaica obriga terminantemente a violação do Shabat em qualquer situação que ponha em risco a vida humana.

Quem deve observar o Shabat?
A ênfase na observação do Shabat é taxativa ao longo de toda Torah. Os filhos de Israel eram periodicamente exortados a não se esquecerem desse mandamento. O Livro de Shemot 31:12-17 é enfático: "Falou mais o Eterno a Moisés, dizendo: Tu pois fala aos filhos de Israel, dizendo: Certamente guardareis meus sábados: porquanto isso [é] um sinal entre mim e vós nas vossas gerações; para que saibais que eu [sou] o Eterno, que vos santifica. Portanto guardareis o sábado, porque santo [é] para vós: aquele que o profanar certamente morrerá; porque qualquer que nele fizer [alguma] obra, aquela alma será extirpada do meio do seu povo. Seis dias se fará obra, porém o sétimo dia [é] o sábado do descanso, santo ao Eterno; qualquer que no dia do sábado fizer obra, certamente morrerá. Guardarão pois o sábado os filhos de Israel, celebrando o sábado nas suas gerações [por] pacto perpétuo. Entre mim e os filhos de Israel [será] um sinal para sempre: porque [em] seis dias fez o Eterno os céus e a terra, e ao sétimo dia descansou, e restaurou-se". A parte final deste texto é de suma importância. Ele diz: "É um pacto perpétuo". O Shabat deve ser observado nos dias de hoje? A resposta acima mencionada é contundente.

De repente você pode se perguntar: o texto da Torah nos informa que se trata de um pacto entre o Eterno e os filhos de Israel, sendo assim, os gentios não estão obrigados a observar o Shabat? A resposta a essa pergunta está na quarta Lei dos Dez Mandamentos (Shemot 20:8-11): "Lembra-te do dia do sábado, para o santificar. Seis dias trabalharás, e farás toda a tua obra, Mas o sétimo dia [é] o sábado do Eterno teu Deus: não farás nenhuma obra, nem tu, nem teu filho, nem tua filha, nem o teu servo, nem a tua serva, nem o teu animal nem o teu estrangeiro, que [está] dentro das tuas portas. Porque em seis dias fez o Eterno os céus e a terra, o mar e tudo que neles [há], e ao sétimo dia descansou: portanto abençoou o Eterno o dia do sábado, e o santificou".

Como complemento, o Livro de Yeshayahu/Isaías 56:4-7 declara: "Porque assim diz o Eterno a respeito dos eunucos, que guardam os meus sábados, e escolhem aquilo que me agrada, e abraçam o meu pacto. Também lhes darei na minha casa e dentro dos meus muros [um] lugar e [um] nome, melhor do que o de filhos e filhas: [um] nome eterno darei a cada um deles que nunca se apagará. E aos filhos dos estrangeiros, que se chegarem a D’us, para o servirem, e para amarem o nome do Eterno, sendo deste modo servos seus, todos os que guardarem o sábado, não o profanando, e os que abraçarem o meu pacto, também os levarei ao meu santo monte, e os festejarei na minha casa de oração; os seus holocaustos e os seus sacrifícios [serão] aceitos no meu altar, porque a minha casa será chamada casa de oração para todos os povos".

A Torah, nos dois Livros acima mencionados, deixa claro que a observação do Shabat é para todos, não só Judeus, mas todos aqueles que aceitam os mandamentos do Eterno. Todos que desejarem agarrar-se ao Pacto de D’us com os filhos de Israel, inclusive o residente forasteiro, o estrangeiro, deverão observar o Shabat e serão bem vindos a Sua casa de oração destinada a todos os povos.

Já nas escrituras do comumente chamado "Novo Testamento", há uma passagem que complementa a extensão da benção do Shabat aos gentios que aceitaram o pacto. Em Ma’asei Hashlichim/Atos dos Apóstolos 21:20 lemos: "Ao ouvir o relato, eles louvaram a D'us, mas também lhe disseram: 'Veja, irmão, quantas dezenas de milhares de gentios há entre os habitantes de Judá, e todos eles são zelosos da Torá'".

Obviamente, uma pessoa que não pretende e não tem a intenção de vivenciar as bênçãos do Eterno através do Mashiach, não estão obrigados a observar o Shabat. Mas a partir do momento que tem a intenção e toma a decisão de vivenciá-las 24 horas por dia e aplicá-las, aí sim há a obrigatoriedade da observação do Shabat e demais Mitzvot (Mandamentos).

No período em que o Mashiach e seus seguidores viveram, não foi diferente. O Shabat era observado e incentivado a ser cumprido plenamente. O texto de Luka/Lucas 4:16 é um bom exemplo de Yeshua indo a sinagoga no dia de Shabat: "Foi a Natzeret (Nazaré), onde havia sido criado, e no Shabat se dirigiu à sinagoga, como de costume. Levantou-se para ler".

Também no Livro de Ma’asei Hashlichim 13:14 somos informados: "Mas os outros prosseguiram de Perge até Antioquia da Pisídia e no Shabat entraram na sinagoga e se assentaram".

Esses textos das Escrituras Sagradas nos confirmam que o Shabat deve ser observado e não devemos negligenciá-los. O Mashiach deixou claro que devemos seguir as Mitzvot que nos são ordenadas na Torah e demais escrituras hebraicas e tal afirmação é comprovada ao se ler Mattityahu/Mateus 5:17: "Não pensem que vim abolir a Torá ou os Profetas. Não vim abolir, mas cumprir".

Se o próprio Mashiach veio a terra para cumprir as leis da Torah e não abolir, conseqüentemente devemos observar os seus mandamentos, inclusive o Shabat.

Sendo assim, depois dessa análise com o esclarecimento à luz das escrituras, podemos constatar que a observação do Shabat é necessária e aplicável aos dias atuais, sendo esta estabelecida pela Torah nos tempos de Moshê e confirmada pelo Mashiach e seus seguidores. Como bem diz o Livro de Shemot 31:17, trata-se de "um pacto pérpetuo ". Além disso, não só Judeus devem guardar o Shabat, mas os gentios convertidos que desejarem fazer parte do Pacto do Eterno com os filhos de Israel, também estarão sujeitos a essa obrigação e demais Mandamentos.

Mas não há obrigatoriedade para aqueles que não vivenciam a fé e muito menos tem interesse em aplicar no seu dia-a-dia as bênçãos de D’us através do Mashiach. Devem guardar o Shabat, somente judeus e aqueles que desejarem se converter de uma forma plena e seguir as leis do Eterno.

O Shabat é a instituição mais importante do Judaísmo e todo aquele que desejar adentrar na santidade do dia deve, primeiramente, abandonar a profanidade do comércio e de estar sob o jugo do labor. Ele deve se apartar do nervosismo, do furor da ganância e da traição que o estimula a fraudar a sua própria vida. Deve se abster totalmente do trabalho e ter a compreensão de que o mundo já foi criado e há de sobreviver sem o auxílio do homem. Durante seis dias estamos em um constante duelo com o mundo e tirando proveito deste, mas no Shabat temos que ter a nossa mente e coração livres e nos preocupar com a eternidade. O mundo pode ter as nossas mãos, mas nossa alma, mente e coração pertence a Alguém Outrem.

O Livro de Ivrim/Hebreus 4:9-11 nos exorta: "Dessa forma, permanece uma guarda do Shabat para o povo de D'us; pois quem entrou no descanso de D'us também descansou de suas obras, como D'us fez com as dele. Portanto, façamos o melhor para entrar nesse descanso, para que ninguém falhe por causa do mesmo tipo de desobedência".

Sendo assim, aproveite o Shabat para o seu descanso e se fortalecer fisicamente, mas principalmente, espiritualmente.

 

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