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Nazismo no Brasil: Nas ondas do Reich
Sexta-feira, 05 de fevereiro de 2010 - 14:08hs
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Rio de Janeiro - Corria o ano de 1941 e a II Guerra Mundial devastava a Europa. Na Cinelândia, no centro do Rio de Janeiro, havia um cinema, o Cine-Teatro Broadway, especializado em só apresentar filmes alemães. Nas ondas do rádio, em todo o Brasil, quinze emissoras transmitiam informes da guerra que favoreciam apenas a ação do III Reich. Dois jornais cariocas, a Gazeta de Notícias e o Meio-Dia, também publicavam notícias simpáticas à Alemanha. Como o Brasil de Getúlio Vargas ainda não se havia decidido por entrar na guerra – e tampouco era possível afirmar de que lado ele ficaria –, o III Reich tratou de montar aqui uma rede de comunicações cujo objetivo era conquistar a opinião pública brasileira em favor da campanha alemã no conflito. Tal estratégia nunca foi secreta, mas agora há novas informações que permitem entendê-la melhor. O historiador Francisco Teixeira, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), teve acesso a documentos inéditos no Arquivo Federal da Alemanha que revelam como o III Reich estabeleceu por aqui sua extensa rede de comunicações no início dos anos 40.
Em toda a América do Sul, o III Reich, por meio das embaixadas alemãs, controlava, além de jornais e cinemas, quarenta emissoras de rádio. Os programas transmitidos no Brasil eram produzidos na Alemanha, em português, e obedeciam ao que os alemães achavam ser o gosto dos ouvintes locais. Num dos documentos encontrados por Teixeira, os agentes alemães tachavam os sul-americanos de "povos de vida leviana", cujo comportamento era determinado "pela fome de sensação, pelo prazer em formulações rebuscadas, expressões humorísticas e espirituosas". E concluíam: "Para a radiodifusão, isso significa a exigência de um ritmo rápido nas locuções e de uma variação maior das vozes. O senso musical dos sul-americanos exige ainda um tom musical na fala". O objetivo final do III Reich com todas essas normas era "reprimir informações difamadoras inimigas" e garantir a própria propaganda ativa.
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Tudo isso só foi possível porque, no início dos anos 40, havia no governo Vargas diversos simpatizantes do nazismo e do fascismo. Especialmente no Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP), encarregado de todo tipo de censura, mas que fazia vista grossa à propaganda nazista. Todo esse investimento do III Reich no Brasil não representava uma intenção de estabelecer aqui um Estado-satélite nazista – até porque a mestiçagem do povo brasileiro constituía um obstáculo para isso. O interesse alemão era, na verdade, comercial. A Alemanha pretendia continuar vendendo armas e maquinário ao Brasil e seguir importando daqui matérias-primas, como algodão, borracha e minérios. "O III Reich queria que o Brasil permanecesse um Estado independente, neutro e autônomo durante a guerra. Para isso, tentou influenciar a opinião pública para criar um ambiente favorável aos alemães", diz o historiador Francisco Teixeira.
Durante algum tempo, a iniciativa obteve resultados positivos, já que a colônia germânica no Brasil, na época, contabilizava cerca de 1 milhão de pessoas. Chegou-se a criar a Juventude Hitlerista, com rapazes e moças fardados que se reuniam em salões decorados por suásticas. "Eram muitos no Brasil os simpatizantes dos partidos nazista e fascista, mesmo fora das comunidades alemã e italiana", diz a historiadora Maria Luiza Tucci Carneiro, da Universidade de São Paulo (USP). Só em 1942, quando o Brasil rompeu relações diplomáticas com a Alemanha e declarou guerra aos países do Eixo (Alemanha, Itália e Japão), é que a bem estruturada rede de comunicações alemã em território brasileiro começou a ruir.
Fonte: Veja Online
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