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Bebida Alcoólica e Embriguez: O que preciso saber?
Em uma passada rápida pelas tradições e história judaicas, pode-se observar que os hebreus nunca foram abstêmios, ou seja, era comum em alguns momentos do cotidiano ou da vida o consumo de bebidas alcoólicas. Com exceção é claro, dos antigos judeus nazaritas, que qualificavam o prazer, especialmente a bebida, como uma tentação demoníaca. Mas isso também não quer dizer que os hebreus eram bêbados obstinados.
É bem comum encontrar na literatura rabínica provérbios populares que depreciavam o consumo de bebidas alcoólicas, como por exemplo, as expressões: "O vinho traz a lamentação para o mundo", "A árvore proibida que Adão comeu o fruto era uma videira, pois nada faz tanto mal ao homem quanto o vinho", ou ainda "O vinho termina em sangue".
Não obstante, os sábios hebreus, principalmente os do período talmúdico, ao invés de proibirem, recomendavam o consumo, desde que houvesse moderação, como mostra a seguinte passagem do Talmud: "Não há alegria sem vinho" (Século V E.C.).
Entretanto, os mestres talmudistas condenavam de forma categórica a embriaguez e todos aqueles que levavam uma vida de beberrão, como deixa claro a seguinte expressão: "A oração do bêbado é uma abominação".
Se para a pessoa do sexo masculino o excesso de bebida era uma atitude reprovável, para a mulher seria uma situação que não se poderia nem imaginar, a ponto de exporem a seguinte observação: "Um cálice de vinho é benéfico para uma mulher. Dois a degradam. Três a fazem agir de forma inconveniente. Quatro fazem com que ela perca seu decoro e sua vergonha".
Há uma antiga lenda hebraica que descreve o profeta Elias aparecendo disfarçado diante de um rabino que havia bebido exageradamente e o provocou dizendo: "Não se embriague, e não cairá em pecado".
Um estudo realizado nos Estados Unidos identificou que entre os judeus existe um número muito menor de bêbados em comparação aos demais segmentos da sociedade. Esse posicionamento favorável tem haver com o caráter puritano de vida que a educação da Torá confere ao seu povo. Mas essa tendência, mesmo que em um grau muito menor, pode acabar se tornando uma realidade entre os israelitas, a partir do momento em que os costumes, as tradições começam a serem relegadas e aos poucos esquece-se de aplicar no dia a dia o que a Torá orienta. Seja por influência de amigos, por imposição profissional, para agradar um determinado círculo social ou outros fatores, o israelita se não se manter vigilante, estará sujeito a assimilar-se, ou seja, a adotar os padrões comumente aceitos pelos gentios e isso fatalmente levará a uma mudança de vida, inclusive tornando-se corriqueiro o aumento na quantidade de consumo de bebidas alcoólicas. E atualmente, cresce o número de pessoas que estão se assimilando e deixando de lado não só os costumes, mas os mandamentos da Torá que é a base sólida para manter a união familiar.
Está se tornando bem comum o desejo de vivenciar as novas circunstâncias da sociedade moderna e muitas das vezes isso inclui usufruir da diversão dos gentios, inclusive no que se refere ao consumo de bebidas. Os jovens, em especial, são seduzidos pela propaganda em massa que estimula a visão de liberdade que a bebida transmite, em conseqüência, estes passam a consumir quantidades muito maiores de bebidas alcoólicas.
A que conclusão podemos chegar?
Ninguém é proibido de se divertir, ir a praia, cinema, teatro, acampar, pois a vida é maravilhosa e um dom de D'us e como tal, deve ser aproveitada. Da mesma forma, o adulto ou o jovem maior de idade, não é proibido de consumir bebida alcoólica, mas a palavra chave é: moderação.
Não há o que se falar em proibição no que se refere ao consumo de bebidas alcoólicas, já que uma delas, inclusive, é usada em muitos dos nossos serviços religiosos, inclusive para santificar o dia mais importante da semana, o Shabat.
Além de não ser proibido, o seu consumo pode fazer bem para a saúde, como está expresso em Timoteos Alef/1 Timoteo 5:23: "Não bebas mais só água, em vez disso, tome também um pouco de vinho, por causa do teu estômago e das suas freqüentes enfermidades". Além de ser benéfico para a saúde, o vinho também é sinônimo de felicidade, como demonstra o Tanach em Tehilim/Salmos 104:14, 15: "Fazes crescer relva para o gado e plantas para o uso do homem, para que da terra possa extrair seu pão, e também o vinho que alegra seu coração".
Mas como já mencionado, para que o seu consumo seja sinônimo de felicidade e não se transforme em pecado e, conseqüentemente desaprovação por parte da Torá e do próprio Todo Poderoso, a moderação é primordial. Mishlê/Provérbios 20:1 nos alerta: "O vinho é enganador, a bebida forte é sediciosa, e quem com eles se apega não é sábio".
A Brit Hadashá em Korintim Alef/1 Corintios 6:9,10 completa: "Não se iludam, pessoas que... roubam, são avarentas, embebedam-se, os que usam linguagem insolente, nenhuma delas terá parte no Mundo Vindouro".
Se as Escrituras Sagradas não proíbe o consumo de bebidas alcoólicas, qual seria a sugestão para não cair na armadilha da embriaguez? Uma excelente orientação é seguir o conselho expresso em Korintim Alef 5:11 que diz: "Não vos associeis com alguém que supostamente é um irmão, mas se entrega à imoralidade sexual, é avarento, idólatra, caluniador, que embebeda-se. Com essa pessoa, vocês não devem nem comer!".
Quão sábio é seguir as orientações das Escrituras Sagradas e se associar com aqueles que partilham de nossa fé. Se aplicarmos em nossa vida os ensinamentos da Torá, com certeza teremos força suficiente para resistir às tentações que nos são impostas diariamente.
Outras referências para reflexão:
Yeshayahu/Isaías 5:11,12: "Ai daqueles que madrugam para se dedicar à bebida e até tarde da noite se inflamam com ela. Há sons de harpas e liras, flautas e pandeiros nas festas em que consomem vinho, mas não contemplarão os feitos do Eterno, nem se aperceberão da obra de Suas mãos".
Hoshêa/Oséias 4:11: "Promiscuidade e vinho, e mais vinho, dissipam a força do coração".
Mishlê/Provérbios 21:16,17: "O homem que se afastar do caminho da compreensão repousará na congregação das sombras. O que ama o prazer será pobre; o que ama vinho e azeite não será rico".
Mishlê/Provérbios 23:19-21: "Escuta bem, meu filho, cresce em sabedoria e guia teu coração para o caminho certo. Não estejas entre os bebedores de vinho nem entre os glutões, comedores de carne, porque tanto o ébrio quanto o glutão se empobrecerão, e o torpor acabará por vesti-los de trapos".
Efesim/Efésios 5:18: "Não se embriaguem com vinho, em que há contenda, mas enchei-vos do espírito".
Titos/Tito 2:3: "Da mesma forma, ensine as mulheres mais velhas a se comportarem de forma que conduza as pessoas à vida santa. Elas não devem ser caluniadoras nem escravas da bebida em excesso. Devem ensinar o que é bom".
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